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Não há duas chaminés iguais

São brancas com cores bordadas, redondas como o sol ou prismáticas, quadradas ou retangulares, mais pequenas ou maiores. São as chaminés algarvias, que denunciam a região em qualquer telhado ou arquitetura.

“Quantos dias quer de chaminé?”, perguntava o mestre pedreiro ao dono da casa para a qual iria construir. Era pelo tempo que era medido o preço da obra. E quanto mais elaborado fosse o seu desenho, mais dispendiosa se tornava. Eram construídas ao gosto de cada um nos mais variados modelos e por isso se tornaram também um símbolo de vaidade. E por isso não há duas chaminés iguais. São um marca distintiva que ao longo dos séculos foi pontuando a paisagem algarvia, fruto da herança árabe na região.

E mais do que a utilidade, tinham uma função ornamental. As chaminés rendilhadas provinham normalmente de espaços onde os donos recebiam as suas visitas. As outras, as do uso diário da família, não mereciam tanta atenção no detalhe. À arte do detalhe juntava-se o orgulho do dono.

A face arquitetónica do Algarve mudou ao longo dos anos, mas as chaminés mantêm-se firmes no seu trono, silenciosas a ver passar os dias. A marcar o prestígio e a vaidade de uma região que se continua a orgulhar delas.

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